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Município

História de Canoinhas

Publicado em 18/02/2014 às 15:59 - Atualizado em 10/04/2014 às 16:21

Conheça a história do município de Canoinhas

Prof. Fernando Tokarski


Muito antes da colonização do território de Canoinhas, incursões bandeirantes vasculharam a região conhecida como do "Sertão de Curitiba". A partir de 1768 expedições desceram os rios Iguaçu e Negro, palmilhando também os afluentes Canoinhas, Paciência e Timbó. A construção da Estrada da Mata, elo entre o Rio Grande do Sul e São Paulo para transporte de gado, foi de extrema importância para a ocupação do território de Canoinhas.

Nele os colonizadores encontraram os índios que o habitavam. Eram os Xokleng coletores e caçadores seminômades que tinham na floresta de araucária seu melhor habitat. Arredios e tendo seu espaço invadido pelos brancos, os Xokleng foram implacavelmente perseguidos pelos colonizadores que neles tinham apenas um inimigo e um empecilho na conquista territorial.

Quando os primeiros homens brancos vagaram pelo sertão, encontraram o rio Canoinhas com o nome indígena de Itapeba, o que quer dizer pedra rasa ou cachoeira baixa. Mais tarde outros exploradores localizaram o mesmo rio com o topônimo hispano-indígena de Canoges Mirim, que literalmente significa canoas pequeno.

Essa referência é uma contrapartida ao rio Canoges, situado bem mais abaixo, nos campos de Lages e modernamente conhecido como Canoas. Do Canoges Mirim é que provém o nome Canoinhas, denominação que prevaleceu e que depois originou o povoado de mesmo nome. Pelo menos três décadas antes da constituição do núcleo urbano, o que se deu por volta de 1888, o rio e as terras de seu vale já eram conhecidos por Canoinhas.

Essa é a versão mais provável a respeito da origem da toponímia Canoinhas, uma vez que bem antes da colonização branca invadir o território Xokleng, o rio já era conhecido por esse nome. Há outra narrativa popular alusiva ao toponímico Canoinhas, mas ela não encontra embasamento científico para ser verdadeira. Conforme essa versão, Canoinhas tem esse nome porque os precursores da colonização local chegaram por via fluvial usando pequenas embarcações, as canoinhas. Naquele tempo, porém, o meio predominante de transporte era o de tropas. Em geral as canoas eram usadas para viagens de pequeno percurso.

Esparsos tropeiros gaúchos e paulistas, além de razoável número de ervateiros paranaenses habitavam o interior de Canoinhas quando em 1888, egresso de São Bento do Sul (SC), o agricultor Francisco de Paula Pereira instalou-se a beira do Canoinhas, perto da foz do rio Água Verde. Ele é considerado o fundador do povoado de Canoinhas, que logo em seguida passou a ser conhecido como Santa Cruz de Canoinhas. Entre os primeiros colonizadores também estão José Thomaz de Mattos, a família Marcondes, Dionísia de Jesus Cordeiro, Elias Rodrigues Vaz, Eustachio Affonso Moreira, João Wordell Filho, Antônio Pereira de Camargo,Joaquim Branco de Camargo e muitos outros.

Foi na condição de Santa Cruz de Canoinhas que em 1902 o lugar foi elevado a distrito judiciário de Curitibanos, embora se encontrasse em área contestada pelo Paraná e Santa Catarina, que disputavam a posse do território. A erva-mate e depois a madeira eram sustentáculos da incipiente economia local. Os interesses pelo domínio do território levaram o governo catarinense à criação do município de Santa Cruz de Canoinhas, o que ocorreu em 12 de setembro de 1911, através da lei 907.

Entre 1912 e 1916, gerada por fatores sociais, políticos, econômicos e messiânicos, eclodiu na região a Guerra do Contestado. O município de Canoinhas foi envolvido no conflito, principalmente em 1914 e 1915, quando várias vezes a vila e povoados do interior foram atacados pelos revoltosos.

Depois desse período bélico Canoinhas alcançou uma fase de grande desenvolvimento, quanto o município teve sua economia reativada pelo extrativismo vegetal da erva-mate e da madeira. Esse ciclo durou até meados de 1930, quando a economia ervateira entrou em franca decadência.

Antes, ainda em 1923, em pleno período áureo de sua economia, o nome de Santa Cruz de Canoinhas foi alterado para Ouro Verde, numa alusão à principal riqueza do município. Porém, divergências políticas e religiosas locais determinaram que em 1930 esse nome fosse substituído e o município passou à denominação de Canoinhas, como era conhecido anteriormente.

Por relações históricas Canoinhas sempre teve íntima ligação com o Paraná e dele origina a maioria da colonização do município, desde as primeiras incursões ao território desconhecido. Nessa época é que afluíram caboclos paulistas, descendentes de portugueses e espanhóis. Foi apenas ao final do século XIX e no início do século XX que vieram imigrantes europeus, sobretudo poloneses, ucranianos e alemães, geralmente migrados do Paraná. Os primeiros anos do século XX também marcaram a chegada de sírio-libaneses e alguns italianos. Essas correntes migratórias é que colonizaram Canoinhas, dando-lhe feições de multiplicidade étnica.

Gentílico: Canoinhense.

 

 

Prof. Fernando Tokarski

Historiador e professor de História Regional nascido em Porto União (SC), reside em Canoinhas (SC). É licenciado e especialista em História, além de licenciado em Comércio e especialista em Metodologia do Ensino. Durante quase 20 anos foi professor da disciplina de História do Contestado, na Universidade do Contestado (UnC).

Autor de seis livros publicados, incluindo “Aniba e Outros Povos” (FCC Edições), foi distinguido com o prêmio “Virgílio Várzea”, a mais importante premiação literária de Santa Catarina, e “O Tamboreiro de Pedras Brancas” (Ed. Ufsc), escolhido e premiado pela Academia Catarinense de Letras como o melhor livro de contos publicado em Santa Catarina em 2010. Também publicou “Cronografia do Contestado” (Ioesc) e “Dicionário de Regionalismos do Sertão do Contestado” (Letras Contemporâneas). Tokarski também possui sete livros publicados em co-autoria. Entre eles, “Mosaico de Escolas: modos de educação em Santa Catarina na Primeira República” (Cidade Futura), “A Guerra Santa Revisitada: novos estudos sobre o movimento do Contestado” (Ed. Ufsc), “Canoinhas: Espaço, Homem e Memória” (Base), “História do Contestado” (Iesde Brasil) e “Nem fanáticos, nem jagunços: reflexões sobre o Contestado.” (UFPel). Possui centenas de artigos publicados em jornais e revistas, inclusive do exterior.

O historiador tem como foco de suas pesquisas a História do Contestado, a História da Erva-mate e a formação humana da Região do Contestado, especialmente do município de Canoinhas. Pela atuação nas pesquisas e na divulgação das Histórias Regional e do Contestado em 2007 ele recebeu da Assembleia Legislativa de Santa Catarina a “Medalha Mérito do Contestado” e em 2011 foi condecorado pela Câmara de Vereadores de Canoinhas por ocasião do centenário desse município em virtude da sua obra científica e literária. É sócio efetivo do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina (IHGSC) e membro-fundador da Academia de Letras Vale do Iguaçu, de União da Vitória (PR).